Chama-se Emília. Não sabe escrever nem ler, não aprendeu as horas nem a contar o dinheiro. Não lhe ensinaram a forma do agrado, não sabe as modas, não toca viola nem conhece os rios de África. A minha tia, chama-se Emilia, e é, acredites ou não, a pessoa mais interessante que conheço.
Não aprendeu nada e sabe de tudo. Conta histórias que nos fazem cair do sofá a rir, enquanto ajeita a sua mãe, que está de cadeiras de rodas. Aprendeu a apoiar os filhos, a corrigir os seus enganos, a aconselhar como uma verdadeira mestre e a regar as coves que ela mesmo plantou.
Ao domingo peço que me levem a vê-la. Quero ouvir o que tem para me dizer. Melhor, o que tem para me ensinar. Porque eu nada sei quando ela fala.
Não sou culta, porque sei falar, não sou esperta porque sei ler, mas sou sábia porque sei ouvi-la.
Este texto é tão simples como simples é ela, tão pobre de escrita, que assim a descrevo.
Mas é belo. Porque bela é a minha tia Emília. Que não sabe ler nem escrever, mas é a pessoa que mais me cala com o seu conhecimento.
Dedicado a si, minha tia Emília, que nunca lerá este texto por não entender as letras. Perdoe a cobardia de não lho dizer, mas os mestres entendem, mesmo que não se fale.
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1 comentário:
é a nossa tia sim!mas quantas vezes não ficas a dormir a sesta em vez de ires aprender o mundo a partir da palmeria? aproveitemos cada momento para que os passamos viver quantas vezes tivermos "ganas" quando ele tiver desaparecido e lavado com ele as suas personagens
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